Há dois anos, técnicos da área de Meio Ambiente da Codesp descobriram, em um Armazém no Porto de Santos, 115 cilindros com gases tóxicos e inflamáveis. Apesar da recente descoberta, estima-se que esses produtos já estejam lá há vinte anos. A constatação foi clara: há riscos para a população que vive na Cidade e proximidades.

Somente o vazamento de um desses cilindros poderia causar um estrago, uma possível explosão que poderia atingir um raio de 10 km. As válvulas desses equipamentos já não possuem garantia, pois já se passam vinte anos da fabricação. Como forma de controlar esse risco, a Codesp propôs a Prefeitura de Guarujá a queima dos cilindros na Base Aérea de Santos, localizada no distrito de Vicente de Carvalho. O projeto foi negado.

Assim como a Prefeitura, o Conselho de Defesa do Meio Ambiente (Condema) de Guarujá, em audiência pública, rejeitou de forma unanime a proposta por não haver documentações que comprovem o licenciamento junto aos órgãos ambientais e estaduais.

                     Documento do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (CONDEMA)
                     que nega o projeto apresentado pela Codesp.

A discussão atual é restrita a um único ponto, qual lugar está disposto a correr o risco do descarte desses equipamentos. Mas a questão vai além. É fundamental que esse problema seja resolvido, que uma alternativa segura seja estabelecida, mas nada vai adiantar se mecanismos como esses continuarem a ser prioridade no mercado.

As pessoas e o meio ambiente já não toleram mais esses riscos impostos a fim do desenvolvimento. É preciso pensar em vida, e portanto, não escolher por opções que tragam margem de erro com a possibilidade de morte.

Cabe, portanto, o questionamento sobre a necessidade desses riscos. Não seria mais fácil se ele não ocorresse? Esta e as próximas gerações não devem mais gastar energia em como solucionar esses problemas graves, mas sim em como nunca mais produzi-los.

                       Lista dos tipos dos gases que constam nos 115 cilíndros encontrados no Armazém
                       no Porto de Santos.

Neste aspecto, um trecho do filme Sonhos, de Akira Kurosawa, no qual uma usina nuclear explode, mostra a fragilidade desses mecanismos e o risco imposto a população. O discurso de seguro é rapidamente extinto com o acidente, levando a personagem a revoltar-se com as consequências que seus filhos teriam depois do contato com a radioatividade.

Assim, o pensamento de solução é reafirmado. A humanidade já assumiu demasiado riscos ambientais, é hora de dar lugar e respeito a outras economias que prosperam sustentadas pelo valor da natureza.

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