Com apoio técnico do Instituto MARAMAR, líderes da comunidade convocam oficialmente reunião, na qual representantes do projeto Terminal Santorini fizeram apresentação

Dessa vez, o encontro para discutir aspectos do Terminal Santorini, projeto da Empresa Brasileira de Terminais e Armazéns Gerais (EBT), efetivamente aconteceu. Ao contrário de Audiência Pública realizada em outubro de 2014, para a qual não houve a devida divulgação, agora membros da comunidade da Ilha Diana tiveram voz e escuta ativas. À pedido da Sociedade de Melhoramentos da Ilha Diana, representantes da empresa foram até o bairro para reunião aberta ao público, na última quinta-feira (16).

Desde o anúncio da possível construção de um terminal em área portuária a cerca de 1 km de distância da Ilha, pairam muitas dúvidas acerca dos impactos que serão causados na vida das pessoas e no ambiente marinho. “Ouvimos falar que o terminal seria utilizado para transportar substâncias como amônia e enxofre. Se for isso mesmo, acreditamos que trará um risco enorme à nossa saúde”, afirma o presidente da Sociedade de Melhoramentos Alexandre Silva.

Silva explica que para diminuir os ruídos e iniciar um diálogo de verdade encaminhou um ofício à Cetesb, órgão que acompanha o processo, solicitando uma reunião dentro da comunidade. “Ficamos satisfeitos com o resultado e com a possibilidade de demonstrar claramente a essa empresa que estamos atentos ao que está acontecendo porque é a nossa vida que está em jogo”, relata o presidente. “Ainda há muito chão pela frente”.

O Instituto MARAMAR, que vem dando apoio técnico e formação à Sociedade de Melhoramentos, marcou presença no evento. Bastante na posição de ouvinte, mas também manifestando alguns pontos de vista quando julgava pertinente. Para o diretor Fabrício Gandini, “foi um momento muito importante para fortalecer o espírito coletivo entre os moradores”.

“As lideranças locais têm feito um ótimo trabalho de monitoramento do andamento do processo junto aos órgãos ambientais. Dessa forma, terão acesso a informações estratégicas para que possam lutar com embasamento”, finaliza Gandini.

Impactos na Ilha Diana

O Terminal Santorini é um projeto milionário de retroporto da Empresa Brasileira de Terminais e Armazéns Gerais (EBT) que tem como ambição ampliar em 20% a capacidade de movimentação do maior porto da América Latina (Valor Econômico – 07.11.2014).

O EIA/Rima, documento que, em tese, analisaria detalhadamente aspectos da obra para a fase de licenciamento, contém algumas lacunas importantes. Uma delas diz respeito à atividade pesqueira na Ilha Diana, que não foi contemplada. Outro buraco é a especificação de quais produtos químicos serão movimentados no terminal e de que maneira isso será feito.

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